sábado, 19 de janeiro de 2013

A Monolatria no Antigo Israel

A Monolatria ou Monolatrismo é o reconhecimento da existência de muitos deuses, mas com a adoração consistente de apenas uma deidade. A Monolatria se distingue do Monoteísmo, que assegura a existência de apenas um deus, e também se distingue do Henoteísmo, que é um sistema religioso no qual o devoto adora apenas um deus, sem negar que os outros possam adorar diferentes deuses com a mesma validade.


Muitos estudiosos da religião afirmam que no antigo Israel havia uma prática de Monolatria. São vários os trechos do Antigo Testamento onde se vê claramente que os antigos judeus reconheciam a existência de outras divindades. O primeiro mandamento do decálogo (“Não terás outros deuses diante de mim”) só tem sentido quando se admite a existência de outros deuses. 

A maior alegação que pode ser feita sobre Moisés é que ele era um monolátra, ao invés de um monoteísta. O Monoteísmo absoluto surgiu a partir da Monolatria em Israel, e assumiu o lugar desta quando aqueles que tinham estado originalmente no panteão dos deuses foram rebaixados ao status de anjos (ou demônios). 

A exclusividade da relação entre Iahweh e Israel é um elemento importante na antiga tradição israelita. Contudo não é necessário atribuir à formulação do mandamento “Não terás outros deuses diante de mim” como sendo um estágio primitivo da tradição, e nem é vantajoso interpretar o mandamento como sendo uma manifestação de monoteísmo. O primeiro mandamento do Decálogo tecnicamente ordena a Monolatria, mais isso só pode ser compreendido dentro de um sistema religioso henoteísta. 

O código deuteronômico impõe, portanto, ao menos uma estrita monolatria. 

No Antigo Oriente Médio a existência de seres divinos era universalmente aceita sem questionamentos. E os pesquisadores e historiadores das religiões são unânimes em afirmar que no antigo Israel não existe clara negação da existência de outros deuses além de Iahweh antes do Deutêro-Isaías (o segundo escritor do livro de Isaías), no século 6 antes de Cristo. A questão não era saber se existia um elohim apenas, e sim se havia um elohim como Iahweh. 

Em várias passagens da Torá (Pentateuco) são mostradas evidências de Monolatria. Em geral são referencias à outros deuses, como os “deuses dos egípcios” no livro do Exodo, capítulo 12, versículo 12. Aos egípcios também eram atribuídos poderes que sugerem a existência dos seus deuses. Em Êxodo capitulo 7, versículos 11-13, aos Aarão transformar seu bastão em serpente, os mágicos do Faraó fazem o mesmo. 

No canto da vitória entoado depois da passagem do mar, Moisés exclama: “Quem é igual a ti Iahweh, entre os deuses?” Êxodo 15, 11. 

Existe uma passagem do livro de Salmos capitulo 85, versículo 8 que também confirma a monolatria hebraica: Não há entre os deuses um que se vos compare, Senhor; não existe obra semelhante à vossa. Contudo, isso não parece significar que os outros deuses merecessem esse nome, no sentido que não tivessem poder real ou propriedade, e o profeta tardio Jeremias confirma que não foram estes deuses que criaram a Terra, e que irão perecer. 

Agora, pois, se obedecerdes à minha voz, e guardardes minha aliança, sereis o meu povo particular entre todos os povos. Toda a terra é minha. Êxodo, cap. 19, vers. 5 

(Dir-lhes-eis, portanto: os deuses que não fizeram o céu e a terra desaparecerão da terra e de sob os céus.) Jeremias cap. 10, vers. 11. 

Referências Bibliográficas

Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan, John Day
No Other Gods Emergent Monotheism in Israel, Robert Karl Gnuse
História da Religião de Israel; Georg Fohrer, Ed. Paulus

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